Censo mostra falta de acesso a infraestrutura em favelas

08/12/2025 - Regularização Fundiária

Quase 20% dos moradores viviam em ruas sem acesso a carros, a ônibus e a caminhões conforme pesquisa de 2022

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativos a 2022, 3,1 milhões de brasileiros vivem em favelas ou comunidades urbanas sem vias de acesso a carros, a caminhões, a ônibus e a veículos de transporte de carga ou ambulâncias ? acessíveis apenas por moto, bicicleta ou a pé. O número representa 19,2% da população desses locais, contra 1,4% que residem fora dessas localidades.
 
Os números são da publicação Censo 2022: Favelas e Comunidades Urbanas ? Características urbanísticas do entorno dos domicílios, que abrange 16,2 milhões de pessoas residentes em 12,3 mil favelas e comunidades urbanas em 656 municípios do país. A pesquisa também identificou que 78,3% (12,7 milhões) dos moradores de favelas viviam em trechos de vias pavimentados, enquanto 21,7% (3,5 milhões) residiam em trechos sem pavimentação. Fora desses territórios, 91,8% dos habitantes viviam em trechos de vias pavimentadas.
 
Quando abordada a questão do saneamento básico, a pesquisa descobriu que menos da metade (45,4%) dos moradores de favelas viviam em trechos de vias com acesso à bueiro ou boca de lobo, totalizando 7,3 milhões de pessoas. Nas áreas fora de favelas, a proporção de pessoas com acesso direto a esses equipamentos sobe para 61,8%. Sobre a iluminação pública, nove em cada dez moradores (91,1%) de favelas tinha acesso, totalizando 14,7 milhões de pessoas. Nas áreas fora desses territórios, a proporção de pessoas com esse equipamento urbano chegou a 98,5%.
 
Outro destaque da pesquisa mostrou que apenas 5,2% (836 mil) dos moradores de favelas viviam em trechos de vias com ponto de ônibus ou van. Fora dessas áreas, a proporção de pessoas com disponibilidade dessa infraestrutura urbana era mais que o dobro (12,1%). "O esgotamento sanitário e a pavimentação da via são dois elementos interdependentes no planejamento urbano. A pavimentação de uma via sem uma rede de esgoto adequada pode mascarar a falta de saneamento básico local e, por vezes, até piorar a situação do sistema de drenagem pluvial. Inversamente, a existência de rede de esgoto sem a pavimentação da via reduz a sua eficácia, uma vez que a pavimentação funciona como elemento de direcionamento das águas e serve como proteção física ao sistema de esgotamento sanitário", avalia a chefe do Setor de Suporte a Favelas e Comunidades Urbanas do IBGE, Larissa Catala.
 
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